December 24, 2018

Um Natal Diferente

Escrito por: Silvia Perez - Doutora com Especialização em Terapias Naturais

Do presente que me fez mudar a minha maneira de ver o Natal ... a recordação do mais belo presente invisível que mudou a minha vida.

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Ano após ano o Natal chega e os anúncios lhe vendem a felicidade em um presente, um momento de completa perfeição, as redes sociais são um convite para comprar um objeto que garanta um feliz Natal. É por isso que, até hoje, minha história de Natal continua sendo o Grinch.

Ao longo dos anos, o Natal muda de significado e, na sua busca pelo presente perfeito, você pode perder a magia de um presente real, não material, invisível, que em poucos minutos pode criar uma mudança retumbante em você. Se você não procura, é muito fácil cair na indiferença.

Eu tive o privilégio de trabalhar e estudar em hospitais, trabalhando todos os dias e a cada 4 dias fazendo um turno de 36 horas seguidas. Eu via pessoas em estado de emergência pela dor, madrugadas frias com filas intermináveis de pessoas à espera de atendimento médico e o sol era o único sinal de outro dia completado. Ao sair do turno, sabia que o Natal estava chegando porque em todos os cantos os ornamentos aparecem nas ruas e agora também há áreas para tirar selfies em família.

Saia para tomar ar e notava mais e mais sacolas de compras, mais stress, ficava com o desejo de ouvir um "bom dia"! ou "Posso sentar aqui ao seu lado?" Apenas pessoas com sacos cheios de coisas que elas não precisam e completamente ausentes no momento, fazendo-me sentir o grande vazio que temos na sociedade.

sacos com presentes

Um dia, à procura de ar fresco, sentei-me num banco, fechei os olhos e lembrei-me ... do presente que me fez mudar a minha maneira de ver o Natal ... a recordação do mais belo presente invisível que mudou a minha vida.

Quando eu tinha 10 anos, minha avó e minha mãe nos disseram que teríamos um Natal diferente. Nós nos levantamos cedo e cozinhamos arroz com galinha, mas eram quantidades que eu nunca tinha visto. Quando meus braços se cansavam, elas tomavam meu lugar e com muito amor elas cozinhavam. Em minha mente eu me perguntava: que festa tão grande nós vamos ter? Parecia tão estranho para mim que não havia toalhas de mesa ou cadeiras ... mas seguíamos cozinhando.

panelas de comida

Perto da meia-noite colocaram agasalhos em minha irmã e em mim, carregamos toda a comida no carro e fomos para a rua. Ao longo do caminho, procuramos em barrancos ou nas ruas por aquelas pessoas com frio para lhes dar um pouco de comida. Na minha impulsividade, fiz o que meus pais e minha avó faziam. Eles me deram um pouco de comida, eu procurei alguém e lhe disse "Feliz Natal!". Aquele sorriso, aquele olhar, ainda estão em minha mente. No final da refeição, voltamos para a casa e ao amanhecer uma família muito simples chegou para ver se havia a possibilidade de comer alguma coisa, não sei de onde veio essa comida extra, mas valeu a pena. Para nossa surpresa de manhã ainda havia para os 5 uma pequena porção. Naquele Natal não havia peru, não havia presentes de luxo, mas era PERFEITO.

Aquela felicidade que minha mãe e minha avó me ensinaram a trabalhar para os outros, a fazer uma comida, um sorriso, é o coração do que a Jardinera ensina e cultiva em nós. No dia a dia, eu não penso nesse momento, mas quando leio as cartas da Jardineira, quando me sento para meditar, encontro novamente essa experiência e esse sentimento, e eu posso abrir meus olhos, ouvir as vozes no centro comercial, ver esses ornamentos e começar a mudança por mim ... Este Natal não desejo excessos, que seja pleno, eu não desejo mais do que abraçar minha irmã que vem de viagem, eu desejo ver a minha avó e devolver-lhe de alguma maneira essa faísca que me deu anos atrás.

 garotinhas abraçando

Para cada um, nos chegam esses presentes de maneiras diferentes. Eu só espero que estejam abertos e acordados para observá-los. Desejo que algum dia possam viver um momento de amor completo e compartilhar com o coração. E que repliquem isto.

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